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RESENHA: A VOZ SUPREMA DO BLUES (Ma Rainey's Black Bottom)


Autora: Miriam Olivia Knopik Ferraz


Ma Rainey's Black Bottom é um filme americano dirigido por George C. Wolfe, escrito por Ruben Santiago-Hudson e produzido por Todd Black, Denzel Washington e Dany Wolf, baseado na peça de 1984 de mesmo nome de August Wilson. Foi lançado no Netflix em dezembro de 2020.


Algumas contextualizações importantes:


1. O título: a tradução do título não representa fielmente o que o título original propõe (para variar). Em pesquisa sobre traduções para o título original, encontrei que “Black Bottom” significa, segundo o dicionário Collins “uma dança do final dos anos 1920 que se originou na América, envolvendo uma rotação sinuosa dos quadris”. O que faz todo o sentido, pois aparece em alguns momentos do filme!


2. Gertrude Rainey, mais conhecida por Ma Reiney, é interpretada pela grandiosíssima Viola Davis. A cantora foi umas das primeiras cantoras afro-americanas profissionais de blues e uma das primeiras a gravar álbuns.


3. Levee, interpretado por Chadwick Boseman (último trabalho dele antes do falecimento – sim, ele que fez o filme “Pantera Negra”), é o trompetista integrante da banda, teimoso e crédulo na sua arte.


4. O contexto do filme ocorre no fim da década de 1920 em um estúdio de gravação em Chicago.


5. O filme é baseado em uma peça de teatro de 1984 escrita por August Wilson (isso explica muito sobre como o filme se desenvolve)


Com essas explicações muita coisa var mudar na forma como você viu filme ou como você vai vê-lo, pois explica por que o filme se passa só no local do estúdio (o que eu suponho que esteja vinculado as raízes do teatro) e a própria construção dos diálogos, diretos e às vezes sem muito sentido (se comparado à produções cinematográficas mas “comuns”). Li crítica sobre a montagem da narrativa que em alguns momentos se perde e torna as cenas cansativas.


O filme gira entorno do fato de Ma Rainey compreender o seu local enquanto artista e lutar contra a exploração da gravadora, chegando até a ser exigente demais. Por outro lado, Levee, acredita que com um diálogo ele poderá ter a sua música gravada.


O destaque do filme está no contexto social, a meu ver, e na discussão de questões como: respeito à comunidade negra; representação; valorização; supremacia branca; sobrevivência negra, por meio da narrativa da história de Levee e dos motivos pelos quais Ma Rainey impõe tanto que ela seja tratada como ela bem entender: afinal, são os brancos que vão dizer como cantar Blues?


Os detalhes do filme param por aqui, assistam!


O filme está indicado para as seguintes categorias: Viola Davis como Melhor atriz, Chadwick Boseman como Melhor ator, Melhor figurino, Maquiagem e Cabelo e Melhor design de produção

Com relação ao Direito é possível estudar várias questões raciais, mas uma sequência de cenas se destacou muito para mim: Levee após muita insistência consegue conversar com o dono da gravadora sobre as músicas que criou, e o dono informa que as músicas são ruins e que paga 5 dólares por cada para encerrar o assunto. Levee tenta insistir, mas o dono apenas coloca as notas no bolso dele e sobe as escadas. Nesse ponto ele está comprando os direitos da música.


Entretanto, ao contrário do que ele comentou para Levee ele grava as músicas, só que agora com uma banda formada por pessoas brancas. Apesar de existir a compra é nítido que o dono da gravadora fez isso para pressioná-lo à venda e depois, encaixar nos moldes do ‘aceitável’ socialmente ou mais vendável.


O filme não é algo padrão, às vezes é cansativo, mas o contexto e diálogos marcam bem a crítica social. Eu acredito que é um grande concorrente para a categoria de Melhor Ator, em virtude do falecimento de Chadwick Boseman pode representar uma forma de eternizar seu trabalho e sua luta.

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