• NÔMA

'Suprema' em contraste com o protagonismo feminino frente ao Constitucionalismo Americano da época


Autora: Jaíne Rosa Mendes Ferreira


O filme é baseado na trajetória de Ruth Bader Ginsburg, nascida em 15 de março de 1933 no Brooklyn, Distrito de Nova York nos Estados Unidos da América, filha de imigrantes judeus e desde 1993, que se tornou juíza da Suprema Corte Americana.

Em contraste com a biografia da magistrada que se tornou a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Suprema Corte, cuja profissão à época era majoritariamente ocupada por pessoas do sexo masculino, o filme traz ainda umas das grandes movimentações de Ruth Bader nos EUA da década de 90: as questões de desigualdade de gênero.

A mulher que iniciou o curso de Direito depois de já ter constituído família, tendo de ampará-la quando um câncer acometeu seu marido, que também passou pela Universidade de Harvard e de Culumbia e que por essa escolha acadêmica passou a frequentar cenário ambientado majoritariamente por homens, não se contentou em explanar seu conhecimento somente numa sala de aula. A personagem decidiu, assim, manifestar seu descontentamento frente à todas leis que continham clara discriminação de gênero em plena Suprema Corte americana.

Ao longo do filme, Ruth tece observações acerca desses abusos que embora questionados, não são alterados, permanecem estáticos. De acordo com a juíza, o problema não está na atuação do juiz, mas na lei. Isto é, a falha reside nas épocas, na sociedade, nos diferentes contextos sociais. A grande questão refere-se à adequação de pensamentos ao passo que valores e costumes são modificados com o passar das gerações.

Percebe-se, nesse sentido, que é inaceitável permanecer inerte diante de discriminações. Diante dessas insatisfações, portanto, nasceu o feminismo que busca por equidade, anseia por isonomia de gênero. Assim como no filme e na vida de Ruth, a existência de desigualdades tomam ambos os lados da cadeia humana, não só nos EUA, mas alcançam o mundo por completo.

Por sua vez, na busca por avanços dessa luta que tende a durar enquanto existir humanidade, nos Estados Unidos em 1923 houve a criação de uma proposta chamada “Equal Rights Amendment”, a qual propunha que os direitos das mulheres fossem expressamente protegidos na Constituição, sendo que a materialização dessa proposta se daria por emenda.

A Equal Rights Amendment passou por muitos altos e baixos, de modo que chegou a ir para o Senado em 1972 para então ser ratificada pelos 38 estados. Porém, não foi suficiente para sua conexão ao texto constitucional, pois há estados que por questões conservacionistas, ainda resistem, a Virgínia é o mais recente adepto da emenda de que se têm notícias.

Há que se falar, assim, na existência de movimentos de oposição à implantação dela, como o “Stop ERA”, que ousava em dizer às precursoras de tal projeto que este seria até mesmo prejudicial a elas, porque acreditavam que tal ação as obrigaria ao trabalho militar assim como os homens, e que por fim seria de fato desastroso para a vida das mulheres, geraria mais separações, mais desgaste e afins.


Nesse sentido, as injustiças se instauram quando a sociedade acredita num ideal homogêneo, acredita que olhar para os Direitos Humanos sob a perspectiva da maioria trará um alcance maior para as feridas sociais, mas o resultado disso será a visualização superficial dessas mazelas.


Por fim, assim como a personagem Ruth afirmou num dado momento do filme, ninguém pode dizer para que mulheres desistam, uma vez que é de grande impressionismo a força feminina frente às adversidades, conforme se nota ao longo da história.


Sobre a autora:


Jaíne Rosa Mendes Ferreira é Graduanda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Divide sua paixão entre Direito e Arte no seu trabalho no Museu Oscar Niemeyer e nas horas livres, como forma de manifestação, escreve poesias e textos que ilustram as mazelas sociais.


REFERÊNCIAS


PEREIRA,Guilherme Bollorini. A experiência Constitucional Norte Americana. Revista da EMERJ, v. 5, n. 17, 2002. Disponível em: https://www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista17/revista17_174.pdf. Acesso em: 28 jun. 2020.


MELO, João Ozorio de. Emenda Constitucional pode garantir direitos iguais às mulheres nos EUA. CONJUR, 25/02/2020. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2020-fev-25/eua-emenda-constitucional-garantir-direitos-iguais- mulheres-eua. Acesso em: 25 jun. 2020.

56 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo