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Valor das pessoas em “Queda Livre”: perspectivas jurídicas de sistemas de avaliação compulsórios


Título: Valor das pessoas em “Queda Livre”: perspectivas jurídicas de sistemas de avaliação compulsórios em Black Mirror


Autoras: Miriam Olivia Knopik Ferraz e Ariê Scherreier Ferneda


O artigo desenvolvido para compor a coletânea “Direito, tecnologia e inovação”, publicada em maio de 2020 pela editora SENSO, buscou analisar a compreensão do valor socioeconômico das pessoas compreendidas em uma sociedade de auto exposição e avaliação, presente no episódio Queda Livre da série Black Mirror.


Para a aludida pesquisa, utilizou-se a metodologia de análise da inter-relação entre Direito e Cinema, com o objetivo de compreender até que ponto a arte imita a vida e a vida imita a arte.


Nesse sentido, o Episódio “Nosedive” (Queda Livre) S03e01 da série Black Mirror, narra uma sociedade em que todos os indivíduos estão conectados a um aplicativo específico, que se encontra presente nos smartphones e em suas retinas, com o qual é possível visualizar todas as informações dos indivíduos pautadas em avaliações de 0 a 5 estrelas por seus pares, construindo, desse modo, uma reputação pessoal de cada um.


Essa reputação demonstra-se essencial para a construção das relações sociais, relacionamento, trabalho e, também, transações como compra e venda: a pontuação de cada pessoa pauta também o universo de suas opções de escolha. Há, portanto, uma necessidade de agradar a tudo e a todos em prol de uma aparente ascensão social.


Entretanto, na busca de uma progressão social, a personagem principal, Lacie, inicia uma queda livre. Tudo começa a dar errado e sua pontuação cai drasticamente, até o momento em que é presa e recebe como punição a perda do acesso à atividade social física e digitalmente. Retira-se o seu smartphone e a lente de seus olhos, os quais permitiam que ela vivesse e interagisse com esse mundo. Enfim, liberdade!


Feita a narração inicial, adentrou-se à análise jurídica do mundo refletido na obra, para então, traçar as similitudes com a realidade atual: o valor socioeconômico e a influência das tecnologias de informação e comunicação nas relações sociais para, enfim, traçar as proteções jurídicas.


Nesse sentido, verticalizou-se a análise do episódio da série para a compreensão da noção de reputação online, e quais os alcances e limites ela insurge na vida das pessoas. Com efeito, atualmente é possível vislumbrar alguns sistemas de avaliação, semelhantes ao exposto em Black Mirror: i) avaliação de pessoas por meio de aplicativos; ii) avaliação de empresas e estabelecimentos; iii) avaliação indireta por meio de dados em redes sociais e a própria internet como um todo.


Com isso, foi realizada a análise do paradigma cinematográfico, bem como situações reais de pessoas físicas e jurídicas a respeito dos limites das disposições de dados, considerando os seguintes pontos: i) Direito à liberdade de expressão; ii) Direito ao Esquecimento; iii) Direito à desconexão; e iv) Proteção de Dados.


Assim, com base na análise do episódio em questão, questiona-se a possibilidade de os indivíduos receberem vantagens econômicas e sociais em razão de pontuações atribuídas a eles por terceiros? Nota-se, ao longo do artigo, que essa possibilidade não é distante da realidade e merece reflexões.


Demonstrou-se, desse modo, que há uma complexidade de elementos a serem sopesados quando se trata de reputação online. O grande desafio é compreender se permanecer no mundo virtual é uma escolha ou uma imposição, e se sair dele é uma condenação ou libertação!


Caso você tenha interesse em ler o artigo completo, basta clicar aqui.


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Por: Miriam Olivia Knopik Ferraz e Ariê Scherreier Ferneda

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